Entre o Fuzil e a Fé: o Homem que Lutou com Coragem e Viveu com Humildade
António Brito Domingos Sozinho nasceu em Angola, num tempo em que o país ainda era dominado pelo regime colonial português.
Cresceu entre as dificuldades do tempo, mas também entre sonhos e esperanças de ver a sua terra livre.
Desde jovem, mostrou-se determinado, corajoso e com um forte sentido de justiça — qualidades que o levariam, anos mais tarde, a entrar na história da luta de libertação nacional.
Foi conhecido pelo nome de guerra “Brito Kissonde”, um nome que se tornou símbolo de resistência, bravura e patriotismo.
Esse nome não era apenas uma identificação militar — era um compromisso com a pátria, com os companheiros de trincheira e com o ideal de independência.
Nos anos 60, quando o fogo da libertação começou a acender-se em toda a África, António Brito sentiu o mesmo chamado interior: libertar Angola da dominação colonial.
Deixou para trás a juventude normal, os sonhos simples e as rotinas da vida civil, e partiu para o mato, para as frentes da luta armada.
Ali, sob o sol ardente e as noites frias, Brito Kissonde tornou-se combatente do MPLA, enfrentando as forças coloniais com coragem e fé.
Não lutava por glória, mas por dignidade — a sua e a do seu povo.
Nas florestas, nos acampamentos improvisados e nas missões arriscadas, aprendeu o verdadeiro significado da palavra sacrifício.
Entre os companheiros de luta, o nome Brito Kissonde era pronunciado com respeito.
Era conhecido como homem de coragem, de palavra e de disciplina.
Quando outros hesitavam, ele avançava.
Quando o medo surgia, ele lembrava aos outros que “quem luta por justiça nunca luta sozinho, porque Deus está com ele.”
Tinha uma postura firme e silenciosa, mas a sua presença bastava para inspirar confiança.
Não se gabava das vitórias, nem se lamentava das perdas — via cada batalha como parte de uma missão maior: a libertação de Angola.
Com a proclamação da Independência Nacional em 11 de novembro de 1975, Brito Kissonde fez parte da geração que viu o sonho tornar-se realidade.
Mas ele sabia que a independência não era o fim da luta — era apenas o início de uma nova batalha: a de construir a nação.
Depois do conflito, manteve-se fiel aos ideais que o moveram desde jovem.
Trabalhou ao serviço do país, desempenhando funções políticas e sociais com a mesma humildade que o caracterizou na guerra.
Nunca procurou destaque, mas sempre esteve onde o dever o chamava.
Foi um quadro do MPLA respeitado, um homem de terreno, próximo do povo e atento às realidades do país.
Mesmo depois de deixar as funções oficiais, continuou comprometido com o bem de Angola.
Acreditava que o patriotismo não é um uniforme — é uma forma de viver, um amor que se demonstra com ações, respeito e serviço.
Era um homem simples, acessível e profundamente espiritual.
Falava da guerra com serenidade, sem rancor, e da paz com esperança.
Nas suas palavras, havia sempre uma lição de vida:
“A liberdade que conquistámos com o sangue deve ser sustentada com carácter, com trabalho e com amor à pátria.”
António Brito Domingos Sozinho partiu deste mundo, deixando um vazio profundo entre familiares, amigos e companheiros de luta.
Mas o seu nome — Brito Kissonde — permanece gravado na memória de quem conheceu a história real da libertação angolana.
Não teve os holofotes dos grandes discursos, nem as medalhas em excesso,
mas teve algo que poucos alcançam: o respeito genuíno de quem lutou ao seu lado e a gratidão silenciosa de um povo livre.
O legado de Brito Kissonde é o da lealdade à pátria e ao povo, da honra que não depende de cargos e da fé inabalável na missão de servir Angola.
Ele representa os milhares de combatentes que, mesmo sem fama, foram os alicerces da independência e da identidade nacional.
A sua história ensina-nos que os verdadeiros heróis não são os que aparecem nos livros, mas os que, no silêncio e na coragem, ajudam a escrever a história.
Frase que o simboliza
“A pátria não é só o lugar onde nascemos — é o povo que ajudamos a libertar e a servir.”