Cidade do Lobito

Tal como nos conta Augusto Bastos, falhada a tentativa de se erguer uma cidade no morro da Quileva, como teria pretendido a Rainha D. Maria II, o facto é, que foi tão só, o interesse dos estrangeiros que determinou a ideia de ocupar a margem ocidental. Se na margem oriental permaneciam uma pequena comunidade de pescadores autóctones quer provenientes de Cabinda como de Luanda, e já alguns europeus, desta feita foi a manifestação da figura do inglês, Robert Williams para a construção de um Caminho de Ferro que contribuiu para uma nova visão da importância do lugar, já nos primeiros anos do Século XX, rompendo-se assim com as contrariedades iniciais cumprindo-se a fixação de outras personagens que tornaram então possível a gradual crescimento do povoado.

As condições estratégicas proporcionadas pelo porto natural, juntou-se a grande ideia da construção do Caminho de ferro a grande determinante para os destinos seguintes da cidade.

Até aí, este lugar não passava mais do que o de fornecedor de corte de mangues, a apanha de ostras que serviam para a produção de cal. Em Novembro de 1902, Robert Williams obtêm de Portugal a concessão de 99 anos para construir a ferrovia ligando o Porto do Lobito à fronteira com o Catanga.

Deste modo protagonizou-se o acordo entre as autoridades portuguesas e o representante britânico do investidor Robert Wiliams, a 1 de Março de 1903, para a construção do Caminho de Ferro de Benguela, junto a ponte sobre o rio Cavaco com a presença do Governador de Angola, Cabral Moncada, sendo que na mesma cerimónia se inaugurou o Porto do Lobito.

A futura cidade vai ganhando forma e um dinamismo particular por conta dos investimentos que lhe permitia a sua localização geográfica, o caminho de ferro e o porto do Lobito. É justamente na margem ocidental que se vão instalar as primeiras estruturas da Companhia do Caminho de Ferro, nomeadamente, o edifício do Hospital,

Casa do Chefe da Companhia, a Bungalow da antiga firma empreiteira Grifths & Cª, o Hotel principal do Lobito, a Casa dos Correios e Telegrafo, a casa dos empregados todas pertencentes ao Companhia do Caminho de Ferro. Diríamos assim, que este evoluir de infraestruturas habitacionais e de serviços eram pertença da Companhia de Ferro. Mais tarde surgiu a delegação Aduaneira do Lobito, pertencente ao governo, o Kiosque.

Tal como nos conta Augusto Bastos, falhada a tentativa de se erguer uma cidade no morro da Quileva, como teria pretendido a Rainha D. Maria II, o facto é, que foi tão só, o interesse dos estrangeiros que determinou a ideia de ocupar a margem ocidental. Se na margem oriental permaneciam uma pequena comunidade de pescadores autóctones quer provenientes de

Cabinda como de Luanda, e já alguns europeus, desta feita foi a manifestação da figura do inglês, Robert Williams para a construção de um Caminho de Ferro que contribuiu para uma nova visão da importância do lugar, já nos primeiros anos do Século XX, rompendo-se assim com as contrariedades iniciais cumprindo-se a fixação de outras personagens que tornaram então possível a gradual crescimento do povoado.

As condições estratégicas proporcionadas pelo porto natural, juntou-se a grande ideia da construção do Caminho de ferro a grande determinante para os destinos seguintes da cidade.

Até aí, este lugar não passava mais do que o de fornecedor de corte de mangues, a apanha de ostras que serviam para a produção de cal. Em Novembro de 1902, Robert Williams obtêm de Portugal a concessão de 99 anos para construir a ferrovia ligando o Porto do Lobito à fronteira com o Catanga.

Deste modo protagonizou-se o acordo entre as autoridades portuguesas e o representante britânico do investidor Robert Wiliams, a 1 de Março de 1903, para a construção do Caminho de Ferro de Benguela, junto a ponte sobre o rio Cavaco com a presença do Governador de Angola, Cabral Moncada, sendo que na mesma cerimónia se inaugurou o Porto do Lobito.

A futura cidade vai ganhando forma e um dinamismo particular por conta dos investimentos que lhe permitia a sua localização geográfica, o caminho de ferro e o porto do Lobito.

É justamente na margem ocidental que se vão instalar as primeiras estruturas da Companhia do Caminho de Ferro, nomeadamente, o edifício do Hospital,

Casa do Chefe da Companhia, a Bungalow da antiga firma empreiteira Grifths & Cª, o Hotel principal do Lobito, a Casa dos Correios e Telegrafo, a casa dos empregados todas pertencentes ao Companhia do Caminho de Ferro.

Diríamos assim, que este evoluir de infraestruturas habitacionais e de serviços eram pertença da Companhia de Ferro. Mais tarde surgiu a delegação Aduaneira do Lobito, pertencente ao governo, o Kiosque a pesquisa das Pescas em 1967, o os Rebocadores “Miranda Guedes” em 1968, Secil Bengo, entre outros.

Mais tarde depois da independência do país, esta empresa foi nacionalizada e denominou-se Estalnave. Em Fevereiro de 1976 foi criada a Lobinave sociedade por quotas detidas pelo estado através da Estalnave o restante pela Lisnave Internacional a qual começou a funcionar em 1977.

Diríamos que as décadas de 30 a 60 do Século XX foram determinantes para o evoluir da cidade com a criação de outros serviços da administração colonial a que se juntam as realizações económicas de vulto.

A elaboração dos planos urbanos para a cidade do Lobito, tornaram-na de facto uma referência obrigatória pela beleza e enquadramento do seu traçado urbanístico. De referir que ela conviveu em franca separação da população indígena e até assimilado que ocupou na sua maioria os bairros periféricos.

O parque habitacional ganha um crescendo maior e a cidade vai-se compondo com outras zonas nas duas margens da baía. A Restinga que cresce com a população europeia, a mais qualificada profissionalmente.

Cobriu-se esse espaço entre o Lobito Velho de onde se assistiu aos primeiros sinais de urbanidade à margem ocidental que se estende para o Bairro do Compão, Cabaia e Cassai, e no centro o Bairro Comercial/28. Segue-se a Caponte que confina com o Bairro da Luz já na estrada para a Catumbela, a esquerda o bairro de S. João. A caminho da margem oriental para a periferia, temos a Canata habitada preferencialmente pela população africana que acompanha o Liro próximo do Lobito Velho, sendo que a periferia onde a população africana é compelida a morar nos Morros no designado Bairro da Bela Vista, depois Bairro da Bandeira.

A importância que esta cidade vai ganhando até 1975, reportamos iniciativas nos domínios sócio-económicos, desde as Igrejas que se iniciam na cidade com as iniciativas da Igreja Católica desde a década de 30 Igreja do Coração de Jesus no centro da cidade, a Igreja Evangélica na Caponte e com uma extensão na Canata com a referida escola que atendia sobretudo a população africana, a Igreja da Arrabida na Restinga, Igreja de S. José na Caponte, a Igreja do Bairro da Luz, do Bairro da Bela-Vista, as escolas Primárias, na Restinga, no Centro, Jardim Escola no Compão, Escola nº 6 na Caponte.

O Colégio privado Luís de Camões na Caponte com extensão no Bairro do Liro o Colégio das Madres da igreja Católica. Do Ensino Secundário destaca-se a Escola Preparatória, a Escola Industrial e o Liceu Almirante Lopes Alves todas no bairro do Compão mais tarde denominado Bairro Académico por nele se concentrarem as instituições de ensino Secundário e liceal. Centro décadas subsequentes. O Hospital público no bairro do Compão, o Dispensário Serviços de Puericultura no centro da cidade, tendo sido na década de 70 transferido para o bairro do Liro seguido da Pediatria na Caponte. Os serviços de Conservatória, Registos, Serviços de Veterinária entre outros.

Alguns dos espaços de entretenimento, também estão ligados às grandes empresas, o Caminho de Ferro de Benguela, fundou o Lobito Sport Clube Ferroviário. O Cine Imperium foi uma iniciativa do Porto do Lobito, que permitia a exibição de cinema a apresentação de peças de teatro. No Bairro do Lobito Velho foi criado um Centro recreativo Clube Atlético do Lobito desde meados da década de 60, espaço que atendia maioritariamente a população africana, já que os espaços acima mencionados eram de frequência quase exclusiva da população europeia.

Do ponto de vista económico refira-se igualmente as fábricas de Vinho ainda no início da década de 60 a CIFAL – Companhia Industrial de Frutas de Angola, fabricava vinho a partir do abacaxi, mais tarde a Sbell, Sociedade de Bebidas Espirituais do Lobito, Fábrica de Redes, (Alarriba) Fábrica de

Margarina, Fábrica de Confeitaria de rebuçados, da Jomba Industrial, Fábrica de Refrigerantes. Um parque industrial invejável que ditou todo o protagonismo da urbe.

Curiosamente apesar da cidade não esconder essa separação racial e económica entre os seus habitantes, as representações em estátua em alguns lugares emblemáticos da cidade, fazem jus a algumas das personagens da história da cidade, reverenciando a componente da população negra. Tal é o caso da Estátua Caminhando fixada justamente no centro da elevação denominada Colina da Saudade. Esta estátua representa três figuras femininas, duas mulheres africanas e uma criança que dão as boas vindas a quem chega aquele ponto da cidade que aponta os caminhos para os bairros da Restinga e do Compão. A estátua na baia próximo da Igreja da Arrabida. Uma mulher também africana que sentada numa base conversa com o mar da baia á mais de um século. O velho Chicucuma, o Velho funileiro que calcorreava a cidade com a sua produção de funis, baldes, entre outros objectos úteis fabricados em latão. A interacção deste homem com qualquer morador e sobretudo as crianças tornaram-no um verdadeiro emblema da cidade.

À data da independência em 1975 todos estes desenvolvimentos tiveram igualmente o concurso de uma população negra, a indígena e a assimilada que enfrentou todos os desafios devido às redes clandestinas dos Movimentos de Libertação que se bateram para a independência de Angola.

Lamentavelmente a guerra tirou muito do brilho da cidade que fiou afectada não só com a Operação Savana desencadeada pelo exército Sul Africano com a ocupação da cidade, como dos confrontos que decorreram e destruíram muitas das infraestruturas que aqui descrevemos, sendo que o Dispensário desapareceu por completo e algumas fábricas igualmente, Fábica Alariba de redes de pesca, a Fábrica de Margarinas, os polos da industria da Jomba Industrial.

O pós guerra com todos o apelos para a paz, inspirou a população que vai reerguendo a cidade para torna-la novamente a Sala de Visitas de Angola.

O esperado Corredor do Lobito, mais uma vez o Caminho de Ferro é aqui chamado para o balanço pretendido, é mais uma lufada de ar fresco que sopra forte na esperança dos Lobitangas para o alcance dos seus anseios.